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domingo, 7 de junho de 2015

Entrevista com Carmen Etel no site do CONIC sobre 30 Anos de Ordenação de Mulheres na IEAB

Ordenação de mulheres na IEAB: entrevista com Carmen Etel

01 Junho 2015
A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) comemorou, em maio deste ano, 30 anos de ministério ordenado das mulheres: diaconato, presbiterado e episcopado. A primeira mulher ordenada na Igreja foi a reverenda Carmen Etel Gomes. A partir dessa transposição de barreira da exclusão de gênero para a ordenação feminina, outras irmãs foram reconhecidas em seus dons e em no valioso serviço para toda a Igreja. Hoje, as mulheres já são uma grande força dentro da denominação.

Para aprofundar um pouco mais sobre essa bonita experiência, o CONIC foi falar com a reverenda Carmen em uma entrevista pra lá de interessante. Leia e opine, em nossa caixa de comentários bem abaixo do texto, o que você pensa acerca deste tema. Boa leitura!

Reverenda Carmen, como foi, naquela época, a reação dos seus pares, já que 30 anos atrás a resistência a este tipo de iniciativa ainda era muito forte?

Nós, mulheres, vivemos momentos de preconceitos e descriminação até os dias de hoje. Em boa parte isso ocorre por conta de uma cultura patriarcal. O pecado do sexismo está sempre presente na nossa sociedade e, também, em nossas comunidades. Na década de 80, esse preconceito era ainda mais acentuado, e foi aí que começamos a trabalhar em outra linguagem, a da práxis, muito presente em nossos ministérios. Falamos de novas teologias e de formação de consciência de uma fé política! Isso incomodou a muitos, as autoridades locais nas cidades onde eu atendia me colocaram rótulo como “padre vermelho”, afinal, sempre que uma voz profética se levanta e essa voz for a favor dos últimos, indefesos, pobres, marginalizados, as consequências serão perseguição, difamação, calúnias, etc.

Você diria que hoje, na IEAB, há plena igualdade de gênero no tocante ao governo da Igreja?

Não há igualdade de gênero não. Nas instâncias de poder ainda não somos lembradas. Há uma discussão hoje sobre o Ministério ao Episcopado. Para mim, é triste celebrar trinta de ordenação feminina na IEAB e não ter uma mulher bispa.

Há muitos perfis de mulheres para serem escolhidas bispas: doutoras, mestres, pastoras, deãs, capelães, sábias conselheiras, ótimas administradoras, profetas do Reino na busca de justiça e da igualdade. Se uma dessas mulheres – mesmo tendo uma ótima bagagem teológica, bíblica, pastoral – concorrsse com um homem, não ganhariam a eleição. Não por falta de capacidade, mas devido ao patriarcado arraigado nas comunidades e na sociedade!

É por isso que a luta continua. Queremos ter na Câmara dos Bispos mulheres e homens, pois a contribuição de uma Igreja com uma visão holística seria maior, o serviço seria abraçado com mais rapidez, as comunidades e dioceses ganhariam com esse novo olhar a serviço das Missões! A ética seria uma prioridade e a justiça e a paz um desafio voltado para a sociedade em parcerias com outros grupos.

Há denominações em que a ordenação feminina passa longe. Por quê?

E um tema polêmico, ainda em especial em Igrejas como a Católica Romana. A invisibilidade da mulher é presente no altar. Embora esta aumentando o número de Ministras da eucaristia, coroinhas, biblistas, etc.

Há interpretações de textos da Bíblia justificando essa ideia de que mulher não pode ser sacerdotisa. Embora exista a riqueza de muitos livros escritos e publicados por mulheres teólogas no Brasil e na América Latina, ainda persiste um silêncio em relação à ordenação de “padres” sacerdotisas.

A Bíblia, nessas Igrejas, ainda é lida como se só fosse escrita por homens, embora tenhamos textos bíblicos de presença e participação proeminente da mulher. Mesmo tendo na Bíblia um forte andrôcentrismo, se consegue, com a hermenêutica feminista, descobrir que Deus se apresenta na história da libertação usando as mulheres desde o início da caminhada do Êxodo.

O que a mulher ordenada tem a contribuir (acrescentar) às igrejas?

Eu acredito no ministério feminino, sobretudo quando você sai das quatro paredes da Igreja e vai para a missão. A Missão de Deus no envia para outros ministérios, e trazemos uma rica contribuição quando estamos abertos a aprender na caminhada, junto das bases.  Estar junto na caminhada com o povo, com as mulheres, com os jovens que estão vivendo situações de riscos, com idosos que são abandonados, com órfãos e sem terra, isso tudo marca a diferença nas nossas vidas e nas de nossas comunidades.

Viver a Missão com–paixão! Seria uma contribuição não somente das mulheres, mas dos homens vocacionados, que deixam tudo para trás no seguimento do Cristo que Vive no meio dos excluídos, dos sem-terra, dos moradores de rua, dos mendigos, das prostitutas.

A profecia que é carregada com as mulheres vocacionadas contribui para uma Igreja Profética, aberta solidária, acolhedora em todos os sentidos!

Contribuímos quando somos vozes proféticas de denúncia dessa violência que estamos vivendo hoje, e  anunciamos a busca da construção de uma cultura pela Paz!

A mulher pode contribuir, e muito, com a questão da prevenção e do enfrentamento da Violência de Gênero. Nos setores acadêmicos, já temos um quadro de mulheres preparadas para formar novas lideranças que tenham, no saber teológico, uma ferramenta que leve ao compromisso de uma práxis junto aos últimos e desesperados do sistema.

As mulheres ordenadas ainda ajudam na construção de uma nova teologia. A Teologia Feminista de Ivoni Gebara contribuiu para que eu e muitas colegas despertássemos para o compromisso de uma Igreja comprometida com o povo sofredor! A Hermenêutica de Fiorenza ajudou-nos a trabalhar com grupos de mulheres, libertando a mulher do seu silêncio e desafiando na busca de justiça para a vida! A Hermenêutica Feminista nos abriu os olhos para que nos apropriássemos dos “textos”, tornando-os como luzes para a caminhada de hoje.

A nova linguagem para nos relacionarmos com Deus contribuiu para os cultos se tornarem mais verdadeiros, e incluiu a mulher como Imagem e semelhança do Criador. Não mais deixamos que essa linguagem patriarcal de Deus Pai, Juiz e Patriarca fosse a única imagem para Deus. Essa imagem de um Deus Pai justifica que o Pai é Deus.

Mas passamos a usar imagens de Deus Mãe, Justo, um Deus que amamenta, que cuida e educa, que gera, que pare!

A linguagem patriarcal que se refere a Deus nas nossas liturgias é instrumento de condicionamento sutil que age pra fragilizar o sentimento de dignidade, de poder e de autoestima da mulher. Essa imagem de Deus Pai introjetada só tem contribuído para que a sociedade continue oprimindo a mulher, permitindo que os mecanismos de opressão contra esta pareçam corretos e adequados.

Gostaria de acrescentar algo?

Agradecer ao CONIC pela entrevista e desejar para a pastora Romi, mulher de luta e garra, que continue sendo para nós, mulheres Anglicanas, sempre um apoio nesta caminhada! Um exemplo de mulher de fé, e de compromisso com a justiça e com a paz!

Agradecer a todas as colegas da IECLB e metodistas que foram parceiras e modelos para meu ministério. Aprendi muito com elas, nas caminhadas com o CONIC lá nas décadas de 80 e 90. Todas me ajudaram a abrir os olhos e a lutar contra o sexismo. E a todos os homens, “parceiros do bem”, como dizem as músicas do Xico Esvael, que nos ajudam a quebrar o sexismo e nos fortalecem para a luta de uma sociedade de Iguais!

Fonte: CONIC - www.conic.org.br

sexta-feira, 13 de junho de 2014

A Copa do Mundo e o Povo Brasileiro

Mensagem do Primaz da IEAB 
O Bispo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - IEAB, Dom Francisco de Assis da Silva, publicou na data de 11 de junho de 2014, uma mensagem especial para o evento da Copa do Mundo.
Clique AQUI para ler a mensagem na íntegra.

sábado, 7 de junho de 2014

Mensagem do Bispo Diocesano para a Festa de Pentecostes

Leia no blog da Diocese Meridional a Mensagem de Pentecostes de 2014, do bispo diocesano, Dom Humberto Maiztegui Gonçalves, com o lema: "O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós." (João 14:17). 
Clique AQUI para ler a mensagem na íntegra (www.diocesemeridional.blogspot.com.br).

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Diocese Meridional realiza o 122º Concílio

Entre os dias 2, 3 e 4 de maio a Diocese Meridional realizou seu 122º Concílio Diocesano na Paróquia da Trindade em São Leopoldo/RS.
A recepção dos conciliares e visitantes e a abertura solene da reunião conciliar ocorreram no templo da Paróquia da Trindade, onde também aconteceram os devocionais e a celebração de encerramento. As refeições e confraternização foram no salão paroquial e as sessões de trabalho no auditório da Associação Comercial e Industrial de São Leopoldo. O 122º Concílio Diocesano teve como lema: “De mãos dadas no compromisso de sustentar e viver a Missão de Deus” e como tema: “Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros” (Romanos 14:19).

Abertura do 122º Concílio:
Na celebração de abertura, o bispo diocesano, Dom Humberto Maiztegui Gonçalves, leu sua Carta Pastoral, destacando a frase bíblica de motivação espiritual para o 122° Concílio Diocesano: “Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros” (Romanos 14:19). O bispo declarou que, neste texto da Carta de São Paulo aos Romanos, a comunidade cristã é convocada a ser acólita da paz. Disse que o serviço de acólitos e acólitas é uma das expressões mais belas do ministério cristão. E que na igreja devemos ser companheiros uns dos outras, companheiras umas das outras, na construção da paz. Dom Humberto também destacou o lema do concílio, afirmando que a forma de sustentar e viver a Missão de Deus é de mãos dadas, isto é, estar unidos e unidas “pelo desejo de servir, amar e ajudar”.
Em sua Carta Pastoral, Maiztegui também salienta a importância de que o símbolo das mãos dadas se expresse na vida da Igreja diocesana e provincial e que a Paz do Senhor se vê no rosto da outra pessoa. Ou seja, a Igreja precisa estar aberta e não fechada em si mesma. No primeiro ano de seu episcopado, andando pelas comunidades da diocese, Dom Humberto disse que “Cristo está presente, se manifestando em sorrisos, orações, lágrimas, abraços, disposições e generosidades”, afirma. O bispo também fez o alerta de que a ausência de acólitos e acolitas em muitas comunidades, pode ser um sinal do esquecimento e a desistência de construir a paz. Dom Humberto motivou para que a igreja não fique sempre do mesmo jeito, mas seja sempre a mesma igreja de Cristo de novos jeitos.
Dom Humberto frisou que para ser uma igreja acólita é preciso primar pelo planejamento para garantir pequenas e grandes metas de sustento da Igreja. É preciso buscar o sustento, não apenas do que já temos, não somente preservar o que a Igreja é hoje, mas buscar a sustentação do que desejamos alcançar “para sermos mais presença de Cristo onde estamos, e passar a ser presença de Cristo aonde ainda não chegamos”. 
Destacando este é seu primeiro concílio como bispo diocesano, Dom Humberto disse que espera que este não seja o último a lançar desafios para a Diocese. A Carta Pastoral que Dom Humberto apresentou na abertura do 112º Concílio, finaliza com um desafio pessoal de ser um “bispo acólito”, motivando para que a Diocese meridional seja “uma igreja de pessoas acolitas”, construtora da paz.

O sentido do planejamento:
O segundo dia do 122º Concílio Diocesano, no sábado, 2 de maio, foi nas dependências da Associação Comercial e Industrial de São Leopoldo. Após Devocional dirigido pela UMEAB, ocorreram as ações de praxe dos concílios e um momento de estudo com a assessoria do Sr. Paulo Bassotto, pela CPPM, que falou sobre o “o sentido do planejamento a partir de experiências empresariais e do 3º setor”. Este estudo motivou os trabalhos em grupos na apreciação dos relatórios. A proposta de planejamento apresentada pela CPPM (Comissão de Planejamento, Pastoral e Missão) foi debatida nos grupos, que apresentaram compromissos. Também foram apresentadas experiências de planejamento pastoral. Na tarde de sábado o Grupo Gestor da Diocese usou espaço para falar do relatório da gestão financeira da Diocese. O encerramento das atividades de sábado foi após o jantar, com atividade cultural de resgate histórico da Missão de Triunfo e uma celebração no templo da Paróquia da Trindade, promovida pela UJAB, que entregou a todos os presentes uma pequena porção de terra retirada da Composteira do Tempo para a Criação, no SETEK. 

Encerramento do 122º Concílio:
No domingo pela manhã ocorreu a terceira sessão do 122º Concílio com eleições para compor cargos e comissões. E o encerramento da Concílio ocorreu no templo da Paróquia da Trindade com a celebração da Santa Eucaristia, tendo como pregador convidado o Bispo da Diocese Anglicana de Pelotas, Dom Renato da Cruz Raatz. Ao final o Reitor da Paróquia da Trindade, Reverendo Jerri e o bispo Humberto agradeceram a todos e todas que somaram esforços para garantir a realização do Concílio. Também foi anunciado que a próxima reunião conciliar (de número 123) será na Paróquia do Calvário em Nova Santa Rita. Já o 124º Concílio Diocesano, em 2016, será na Paróquia da Ascensão, que completará um século de fundação, no bairro Teresópolis em Porto Alegre.

Clique AQUI para ler a Carta Pastoral ao 122º Concílio

quarta-feira, 16 de abril de 2014

IEAB reconhece Sagradas Ordens de Pilato Pereira

Na celebração deste Domingo de Ramos, 13 de abril, na Paróquia da Ascensão, em Porto Alegre, o bispo diocesano da Diocese Meridional da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Dom Humberto Maiztegui Gonçalves, reconheceu as Sagradas Ordens de Pilato Pereira, ordenado diácono e presbítero pela Igreja Católica Apostólica Romana, na Arquidiocese de Porto Alegre. Dom Humberto também anunciou que o Reverendo Pilato Pereira atuará como coadjutor na Paróquia da Ascensão e será o ministro encarregado pelo Ponto Missionário Santo André, em Guaíba.
Em sua pregação, Dom Humberto falou sobre a trajetória vocacional de Pilato e o processo de reconhecimento de suas Ordens. O bispo diocesano relatou que quando assumiu como pároco na Paróquia São Lucas de Canoas, no ano de 2010, Pilato e sua companheira Luciméia Gall König passaram a fazer parte daquela comunidade. Em seguida, ambos foram recebidos pelo então bispo diocesano, Dom Orlando de Oliveira, e passaram a atuar na pastoral da Paróquia.
Dom Humberto explicou que Pilato Pereira fez parte da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e foi ordenado diácono e presbítero, através da Igreja Católica Romana, e que agora ocorre o reconhecimento das suas Ordens pela Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, que o acolhe no clero da Diocese Meridional.
A cerimônia contou com a presença de paroquianos das paróquias da Ascensão e São Lucas de Canoas e familiares e amigos de Pilato. O Frei Capuchinho e Reitor da ESTEF (Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana), Aldir Crócoli, esteve presente, concelebrando com demais presbíteros da Diocese Meridional. Além de Dom Humberto, também estiveram presentes os bispos eméritos, Dom Orlando Santos de Oliveira e Dom Clovis Erly Rodrigues. 

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Concurso de Cartaz e Logomarca para o Sínodo e Confelider

Queridos Irmãos e Queridas Irmãs

Graça e Paz!

Como sabem, estamos nos aproximando do XXXI Sínodo da IEAB num ano muito especial para a nossa vida.
Estaremos celebrando 120 anos de história como IEAB bem como 200 anos de presença anglicana no Brasil. Some-se a isso também o rico caminhar de nossas reverendas, ao comemorarem 25 anos de ordenação feminina em nossa Provincia.
Estamos preparando com carinho o nosso Sínodo e nossa Confelíder que certamente serão um marco de nossa caminhada e apontarão nossos passos a prioridades para o futuro.
Neste espírito de preparação desta que será uma grande festa, o Conselho Executivo, através do Comitê Permanente, recomendou a realização de um Concurso de Cartaz/Logomarca para serem usados não somente no Sínodo, mas igualmente como uma marca em todos os eventos provinciais de 2010.
Enviamos a todos vocês o regulamento do Concurso e pedimos que estimulem em suas dioceses a divulgação desta proposta. Temos muitos artistas e certamente aguardamos que brotem a criatividade para termos uma bela representação deste momento singular de nossa história.
A criação pode ser individual ou coletiva e esperamos que em novembro na reunião do CEXEC tenhamos a escolha final.
Observem atentamente o regulamento e boa criatividade! regulamento clique aqui

Com meu abraço e minhas orações,
Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva
Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Secretário Geral
55 51 33186200
fassis@ieab.org.br

terça-feira, 21 de abril de 2009

Carta da IEAB - Quilombola Urgente- Minsitro Cezar Peluzo- STJ




Brasília, 21 de abril de 2009.
Anselmo de Cantuária.

À Sua Excelência Ministro Relator Cezar Peluzo      
Ao Povo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
                A Sociedade Brasileira
Antes, corra o juízo como às águas; e a justiça, como ribeiro perene.
 (Amos 5:24)
“A Igreja constitui a única sociedade do mundo que existe por causa daquelas pessoas que não são membros dela”
Arcebispo William Temple, 1942.
É inspirados nesse desejo e advertência do profeta Amós e nas palavras do Arcebispo William Temple,  que dirigimos esta carta aos membros da nossa Igreja, ao Sr Ministro Cezar Peluzo, Ministro do Supremo Tribunal Federal, Relator do Processo (ADI) Nº 3.239 e a todas as pessoas de boa vontade.
As comunidades negras rurais e quilombolas de todo o país vivem um momento delicado e tenso devido à iminência de votação da Ação de Inconstitucionalidade (ADI) Nº 3.239 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A ADI tem por objetivo anular o Decreto 4887/03, da Presidência da República, que estabeleceu os critérios e procedimentos para a regularização dos territórios quilombolas. É importante notar que esse decreto é coerente com a Constituição Brasileira e com as convenções Internacionais ratificadas pelo Brasil, especialmente a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT, Genebra, 27 de junho de 1989) quanto ao conceito de território e auto-definição dos povos.
O Decreto 4887/03 foi uma importante conquista dos remanescentes de quilombo em todo o país e a sua revogação traria sérios prejuízos aos direitos quilombolas, ao impossibilitar abertura de novos processos para regularização de suas terras, paralisar aqueles em andamento e anular as conquistas já alcançadas.
Todos estamos conscientes da grande dívida que a sociedade brasileira tem para com aqueles que foram trazidos à força da África para serem escravizados em nosso pais. Os quilombos foram uma das formas que os escravos encontraram para resistir ao sistema escravagista. Após a abolição, a permanência em seus territórios foi e continua a ser um dos fatores principais para a sua sobrevivência e reprodução como comunidades, tanto no nível material quanto cultural.
No cumprimento da nossa responsabilidade como bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, chamados à fidelidade aos valores do Evangelho e conscientes de que, como Igreja, devemos buscar a justiça e contribuir para a superação das enormes distâncias sociais, culturais e econômicas que afetam as comunidades remanescentes quilombolas, não podemos nos omitir diante da possibilidade – que queremos supor improvável - de o Supremo Tribunal Federal vir a revogar um procedimento legal que claramente tem permitido a agilização dos processos de garantia dos direitos territoriais e culturais das comunidades quilombolas e, assim, restaurado a justiça em seu favor.
Assim, conclamamos a Igreja Episcopal Anglicana no Brasil a:
1) Interceder para que o Deus de Amor no qual cremos continue a dar aos nossos irmãos e irmãs quilombolas a coragem necessária para continuar a sua luta por seus direitos;
2) Mobilizar-se em defesa dos direitos quilombolas, manifestando esta posição junto aos poderes constituídos, principalmente junto ao Supremo Tribunal Federal.
Ao Supremo Tribunal Federal, na pessoa do Ministro Cezar Peluzo, Relator da ADI No. 3.239, solicitamos que seja convocada uma audiência pública sobre o assunto para que a mais alta Corte brasileira possa ouvir os representantes das comunidades quilombolas bem como especialistas no assunto antes de julgar a Ação de Inconstitucionalidade.
A ADI Nº 3.239, apresentada pelo DEM (ex-PFL) é mais uma das investidas da bancada ruralista, do setor do agro-negócio e da grande mídia contra os direitos quilombolas garantidos na Constituição de 1988. Há cerca de 5.000 Comunidades Quilombolas no Brasil, sendo que dessas, aproximadamente 1.300 estão com processo de regularização fundiária em curso no Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) nos termos do Decreto 4887/03.

O Decreto 4887/03 foi uma importante conquista dos remanescentes de quilombo em todo o país. Em seu §1 do Artigo 2º o Decreto 4887/03 prescreve: “a caracterização dos remanescentes das comunidades dos quilombos será atestada mediante auto-definição da própria comunidade”. No §2 o Decreto estabelece como “terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos as utilizadas para a garantia de sua reprodução física, social, econômica e cultural”, assumindo as definições atuais da Antropologia e Ciências Sociais quanto ao conceito de território para a demarcação das terras quilombolas: “serão levados em consideração critérios de territorialidade indicados pelos remanescentes das comunidades dos quilombos, sendo facultado à comunidade interessada apresentar as peças técnicas para a instrução procedimental”. Com isto o Decreto 4887/03 está em harmonia com as convenções Internacionais ratificadas pelo Brasil, das quais merece destaque a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT, Genebra, 27 de junho de 1989) quanto ao conceito de território e auto-definição dos povos. A derrubada do Decreto 4887/03 traria sérios prejuízos aos direitos quilombolas ao impossibilitar abertura de novos processos para regularização de suas terras, paralisar aqueles em andamento e anular as conquistas históricas.
Confiamos na imparcialidade desse Supremo Tribunal em ponderar e discernir entre o que seja diletantismo racional e encarnação da Justiça.
                Em Cristo que Ressuscitou, nossa Esperança e fundamento da solidariedade com a causa da Justiça,

Dom Mauricio José Araújo de Andrade, Bispo Primaz, Brasilia, DF
Dom Almir  dos Santos, Oeste
Dom Jubal Pereira Neves, Santa Maria, RS
Dom Orlando Santos de Oliveira, Porto Alegre, RS
Dom  Naudal  Alves Gomes, Curitiba, PR
Dom Sebastião Armando Soares Gameleira, Recife, PE
Dom Filadelfo Oliveira Neto, Rio de Janeiro, RJ
Dom Saulo Mauricio de Barros, Belém, PA
Dom Renato da Cruz Raatz, Pelotas, RS
Dom Roger Bird, São Paulo, SP
Dom Clovis Erly Rodrigues, Emérito
Dom Luiz Osório Pires Prado, Emérito
Dom Glauco Soares de Lima, Emérito